Como escolher sua plataforma de e-Commerce

Como escolher sua plataforma de e-Commerce

Introdução

Não é novidade que o e-Commerce é uma tendência no varejo nos últimos anos. Muitas empresas estão migrando para o comércio eletrônico, expandindo seus canais de distribuição para o mundo virtual (omni-channel) ou começando diretamente a vender exclusivamente pela web. Se você se encaixa em um destes perfis e pretende começar a vender pela Internet, a escolha da plataforma de e-Commerce é uma das principais dificuldades de quem está começando nesta área.

Quano inicia-se a busca por uma plataforma de comércio eletrônico, a probabilidade de ficarmos perdidos é grande. Existem milhares de sistemas de lojas virtuais no mercado, cada uma delas tentando diferenciar-se e ganhar seu espaço. Existem também alguns blogs e artigos de profissionais especializados em uma ou outra ferramenta, e acabam sendo, de certa forma, tendenciosos.

Os sistemas de comércio online tiveram origens bastante diversas, e alguns atuam em nichos específicos. Assim, fica muito difícil classificá-los do melhor para o pior. Seria como comparar laranjas com bananas. A plataforma A pode ser melhor em alguns pontos, enquanto que a plataforma B se sai melhor em outros aspectos.

Costumo dizer que a escolha de um sistema de loja virtual é como a compra de um carro – se você pesquisar em um fórum de aventureiros, irá descobrir que o melhor carro que existe é um jipe. Robusto e versátil. Vai para qualquer lugar. Entretanto, para uma família de 5 pessoas, um jipe pode não ter um porta malas adequado. O melhor seria um SUV, grande e espaçoso. Já para um ativista ambiental, um SUV gasta muito combustível e polui muito. E por aí vai. Cada um tem suas necessidades, e certamente vai encontrar a opção mais adequada.

Com o comércio eletrônico ocorre a mesma situação. Existem inúmeras opções, e certamente uma delas irá atender as suas necessidades. Neste artigo, vamos analisar os tipos de plataformas existentes e as características que devemos observar em cada uma delas antes de tomar a decisão de optar por uma delas. No próximo artigo, faremos  uma analise mais detalhada nos principais produtos disponíveis no mercado.

 

Tipos de implementações de lojas virtuais

Ok, a decisão de ir para o mundo virtual está tomada. Já vimos que o primeiro passo é a escolha da plataforma de e-commerce. Mas o que é, afinal, esta plataforma ?

 

Plataformas – o que são

A Plataforma (ou sistema de e-commerce), é o programa de computador escrito para fazer a loja funcionar. Ele fica hospedado em um servidor de internet, e precisa ser adequado (customizado) para deixar a sua loja com uma “cara” única.  Neste caso, podemos comparar com a compra de um apartamento. A pessoa que compra um apartamento padrão, igual à todas as unidades do prédio, recebe-o vazio. Em seguida, decora-o ou reforma para deixá-lo do seu jeito. As plataformas, em geral, também são genéricas, e precisamos customizá-las para funcionar do modo que desejamos: qual o sistema de pagamento que será usado, qual o modo de envio das mercadorias, etc.

 

1.     Plataformas de código aberto (open-source)

São sistemas desenvolvidos por uma comunidade ou empresa, onde todos tem acesso ao código-fonte. É como se tivéssemos acesso à formula de um refrigerante, por exemplo, podendo fazê-lo em casa. Estas plataformas são gratuitas e podemos fazer download e instalar no nosso provedor de Internet.  Mas cuidado! Apesar da plataforma ser gratuita, isso não significa que você não terá nenhum gasto com ela.

Usando a comparação anterior com a compra de um apartamento, é como se você ganhasse um apartamento novo. Mas, para morar nele, provavelmente terá que gastar um pouco. Se você já tiver todos os móveis, armários, etc., poderá até mudar sem gastar. Mas, pelo menos, terá que pagar mensalmente uma taxa de  condomínio (provedor de internet). Entretanto, se quiser reformar ou usar móveis planejados, irá desenvolsar algum dinheiro para deixar o apartamento personalizado.

Nas plataformas open-source existem algumas extensões, também chamados de módulos ou plug-ins,  que são pagos. Caso queira personalizar sua loja, também, terá que contratar alguma empresa ou profissional para alterar o layout e deixá-la do jeito que deseja (a menos que você tenha conhecimento na área, logicamente).

 

Vantagens:

  • atualização: como o sistema é desenvolvido por uma comunidade de programadores, o sistema estará sempre atualizado. Geralmente são milhares de pessoas testando e contribuindo para a evolução do sistema.
  • preço baixo: como dito anteriormente, o custo é bem menor que as outras opções disponíveis.
  • portabilidade: caso necessário, você pode trocar sua loja de provedor facilmente, sem ficar preso à um fornecedor;

 

Desvantagens:

  • suporte: como muitas vezes o desenvolvimento do sistema é feito por voluntários, o suporte pode demorar ou nem existir. Neste caso, deve-se recorrer à fórums de discussão ou grupos de desenvolvedores.

 

2.     Plataformas proprietárias:

São sistemas de lojas virtuais criados por empresas especializadas. Normalmente paga-se uma taxa inicial de instalação e uma taxa mensal pela utilização da plataforma.

Como são empresas que possuem um número limitado de programadores, a detecção e correção de problemas de segurança pode demorar mais tempo que nas plataformas open-source, que possuem uma comunidade bem maior testando e reportando problemas.

Como são milhares de empresas que fornecem este tipo de serviço, fica difícil reunir características em comum. Por isso, é importante observar alguns critérios, que discutiremos mais tarde.

 

Vantagens:

  • necessita menor conhecimento técnico para configurar a loja;
  • menor tempo de desenvolvimento;
  • suporte dedicado: como existe um acordo comercial, costuma-se ter acesso mais fácil ao suporte do sistema.

 

Desvantagens

  • É preciso ficar atento aos detalhes do contrato. Muitas vezes os planos mais baratos incluem limitações de número de produtos, quantidade de pedidos, número de visitantes, etc. Se sua loja exceder estes limites, a conta pode ficar alta no final do mês.
  • Reporte de problemas – como dito anteriormente, o número de clientes e programadores é menor que uma plataforma open-source. Assim, problemas de segurança podem demorar mais para serem descobertos.

 

1.     Plataformas customizadas

Neste caso, toda a criação da loja é feita exclusivamente para você, seja através de uma empresa especializada ou internamente.

 

Vantagens:

  • Possibilidades ilimitadas de opções. Aqui, o céu é o limite. Sua empresa define todos os requisitos e a loja virtual será desenvolvida de acordo com suas necessidades. É como mandar fazer um terno no alfaiate, ao invés de comprar um pronto na loja.

 

Desvantagens

  • Altíssimo custo de desenvolvimento
  • Prazo longo para lançamento da loja

Agora que já conhecemos os 3 tipos de plataformas, vamos ver quais os critérios que você terá que levar em conta na hora de decidir por qual caminho seguir:

 

Critérios para escolha de uma plataforma de e-commerce

  1. Custo: aqui é necessário analisar o custo total de implantação da loja: desenvolvimento, personalização e treinamento dos usuários;
  1. Mão de obra especializada: quando for necessário modificar o sistema, qual a disponibilidade de mão de obra para fazer o serviço ? Nas plataformas open-source, é mais fácil encontrar desenvolvedores para os sistemas mais usados (Magento, WooCommerce, Opencart,etc.). Nas plataformas proprietárias, somente os desenolvedores da empresa tem o conhecimento para fazer atualizações. Na opção customizada, pode-se optar por qualquer programador que conheça a linguagem de programação adotada.
  1. Facilidade de operação: plataformas de código aberto são usadas por milhares de pessoas. Assim, tendem a ter uma evolução mais rápida, inclusive na facilidade de uso. Já nas proprietárias, a variedade é imensa e existem todos os tipos de variação: desde as mais simples até as mais complicadas. Já para as plataformas customizadas, a usabilidade depende de como o projeto for desenhado.
  1. Escalabilidade/expansão: Seu negócio está crescendo. Será que a plataforma que você adotou consegue acompanhar este crescimento ? Será que o servidor aguenta o aumento de tráfego ? A plataforma possibilita a adição de novas funcionalidades ? Se sim, qual o custo disto ?
  1. Integração: É possível exportar os dados para um sistema externo de administração (ERP) ? É possível integrar a loja virtual com um sistema de emissão de notas fiscais ou ponto de venda de uma loja física (PDV) ?
  1. Capacidade de customização: É possível personalizar a loja do jeito que você deseja ? Além do layout, é necessário verificar outras questões técnicas. Por exemplo, o sistema escolhido permite cadastrar produtos configuráveis (ex: um mesmo modelo de roupa com vários tamanos e cores) ? É possível escolher diferentes meios de pagamento ? As regras de promoção são flexíveis ?
  1. Portabilidade: Se você decidir migrar de sistema, é possível exportar a base de clientes, produtos e pedidos ? Esta é uma  questão muito importante na hora de decidir, para não ficar preso a um fornecedor.
  1. Atualiação: constantemente os hackers descobrem novas formas de ataques virtuais. O sistema que você escolher é atualizado constantemente ? Os erros encontrados são corrigidos rapidamente ?

Como dito anteriormente, existem inúmeras opções quando falamos de plataformas proprietárias. Assim, fica muito difícil analisá-las a fundo. Para as lojas customizadas, esta é uma tarefa impossível, pois só existe 1 cliente usando um determinado sistema.

Veremos agora um panorama geral das plataformas de e-commece e sua participação no mercado. A análise detalhada de cada uma delas ficará para o prócimo post.

 

Participação de mercado

No mundo:

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No Brasil:

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Produto Participação no mercado brasileiro
WooCommerce: 27,59%
Magento: 25%
BigCommerce: 11,53%
Virtuemart: 11,09%
Vtex Integrated Store: 5,96%
OpenCart: 5,17%
Prestashop: 3,78%

 

Conclusão

Apresentamos aqui uma análise dos pontos que devem ser levados em conta durante a escolha de uma plataforma de e-Commerce.

Resumindo, é importante observar os custos indiretos e “escondidos” nas cláusulas do contrato. Pode ser que uma plataforma seja gratuita, mas obriga o lojista a usar um determinado meio de pagamento que cobra altas taxas por transação.

Como em todo negócio que está iniciando, um bom plano de negócios pode ajudar. Tendo-se em mente a necessidade da empresa a curto, médio e longo prazo certamente facilitará a tomada de decisão na hora de escolher a plataforma ideal.

 

Obrigado pela leitura, e até o próximo post, onde falaremos sobre as plataformas com maior participação no mercado brasileiro.